Saudade Anônima
Às vezes, eu sinto falta de corpos que ainda não encontrei.
Eu também penso que nunca os vi passar, não sei quais trejeitos possuem.
Se os passos são leves e soltos ou se desistem de ser passos e estacionam.
Eu não sei se já estacionaram no meu canto e despercebi.
Porque, de vez em outra, na janela, eu sinto uma saudade de rostos que não sei quais.
Não é algo parecido com o que encontro na fila do cinema, na frente de uma livraria ou num ponto de táxi.
Eu sinto saudade de alma que eu nunca conheci, que, talvez, nome não tenha.
E eu não vou entender por que isso agora.
Por que a minha saudade não pode ter nome de parente, antigo relacionamento ou amigo distante?
Por que, então, toda a falta que senti renasce desconhecida, sem gosto e cor que eu já tenha visto?
Eu não sei se você existe, se vive nesse ou n’outro tempo.
Mas, anônimo, eu vou te reconhecer quando, sem explicação alguma, seu sorriso me entender sussurrar
“Que imensa saudade eu tive de te achar por aí.”
(R, Liz)
Talvez, você não saiba, mas eu escrevo para fugir do que não falo. Porque eu calo, mas minhas mãos gritam. E para não tê-las quebradas em consequência dos golpes infelizes, eu faço rabiscos literários nos papéis que encontro no caminho. Então, para mim, calar tem sido a melhor forma de enfrentar aquilo que não luta, mas agride.
(R, Liz)
Não quero que procure me entender. Provavelmente, nunca farei sentido, como nunca fiz. Há dezessete anos, estive longe dos limites impostos. E olha que essa é toda a vida que eu tenho. Então, é como se eu tivesse tido dezessete chances. Bem como o réveillon, quando todo mundo costuma dizer “Ano novo, vida nova!”. Já me foram dezessete novas vidas. Acontece que ninguém entende o quanto se desgastam ao longo do ano. Quer dizer, sempre suportei sem reclamar. Mas esse ano me veio com uma febre de incertezas que impregnam e não me permitem respirar direito. Começou em Janeiro, tive uma perda. Eu detesto perder coisas minhas, detesto esquecer onde guardei ou deixei. Imagina, então, perder porque a tal coisa não mais se encaixa onde eu fico?! Difícil. Mas tudo bem, quase todo mundo passa por isso e não morre. Eu acho. No mês seguinte, achei uma outra coisa. Tentei usá-la como remédio para não me esquecer de nada, para não achar absurdos por aí e também perder, tentei usá-la até para não me esquecer dela. Foram os melhores momentos do começo da minha nova vida. Eu tinha reflexos das palavras do mês anterior, e até chorava de vez em quando. Queria dizer que essa foi a vida em que mais chorei, se interessar saber. Mas eu tinha uma força, que vinha de um corpo que não era meu. Minto, devo usar o plural. Vinha de corpos que não eram o meu, mas eram meus. Felizmente, eu não preciso me queixar de companhias ou confessionários ambulantes. Sinto que fechei os olhos nos mais variados momentos para a presença deles na minha vida. Foi burrice, eu não me perdoarei por isso nem na próxima. O que posso fazer é tentar não ser míope de novo, se é que eles ainda vão estar lá por mim. Mas me deixa continuar: o ano ainda falta três meses seus para acabar, e eu já me sinto atordoada em só contar sobre o começo dele. Viu? Se o inferno for assim tão insuportável quanto o que vi e vejo ainda, prometo que irei me comportar. Bastante! Então, para continuar ainda… Confesso não ter sido nem um pouco comportada esse ano. Sabe… A tal coisa que encontrei em Fevereiro, eu acabei perdendo… Não posso mentir. Bom, a verdade é que eu a deixei de lado. Por outro pote de sentidos, de força e coragem de querer me ter para si. Sabe, o pote antigo tinha coragem pela metade. E que se abra um enorme parêntese: há um pote que está longe e é o único que consegue me salvar todos os dias, mas está longe e sua graça vem de outra vida, não posso envenená-lo. Enfim, eu não gosto de viver por coisas que não se enchem até a tampa. Bom, você precisava ver aqueles enormes olhos do pote que encontrei no mesmo mês. Eles pareciam gritar pelo meu nome, como se desejassem me guardar e nunca mais soltar. Fui puxada por aquela força de atração. Esqueci que não podia possuir outras coisas a não ser a que já tinha (pela metade, mas tinha… Devia ter me contentado), porque eu tenho essa mania, sabe? De perder coisas… É chato, dói e de tanto doer entorpece. Eu só queria que entorpecesse logo. Tá ruim, viu? Porém, escrever assim, tirando isso de mim… Sei lá, acho que pode me ajudar com o peso. Só para esclarecer, deixe-me saber: Você não está pensando que eu tinha me esquecido do mês de Janeiro, não. Não é? Em todas as vidas sempre tive uma memória muito boa, então se me contar o segredo d’um seu maior pecado, esse pecado vai ser seu para sempre, enquanto me tiver por perto. Sou feita de um bolo de pecados seus que você me confessou, de um bolo de sorrisos seus que você me guardou. Não sei por que fui me esquecer disso. Cara, eu estou cansada dessa terapia de contar o que já passou no calendário, mas em mim não. Eu só queria ser um calendário. E eu sei que se eu fosse, você iria fazer questão de passar as páginas vencidas. Porque você é assim, costuma passar as minhas páginas. Olha, eu quero só resumir agora. Porque o sol está brilhando lá fora, e eu preciso te levar comigo para a gente escrever sobre como os nossos olhos ficam pequeninos e brilhantes na altura do céu. Então, eu perdi mais uma vez. Deveria ter colocado na cabeça que perder não era tão ruim na circunstância. Até por que, aquele segundo pote costumou me sugar demais a vida. Foi por ter sugado, que eu achei estar sem ela. Mas doía. Droga, como doía! Doía aquela falta de vida e por ser assim, enfim, eu percebia que não… Não era a falta de vida, era uma acumulação dela. Da vida de número 17. Uma acumulação estragada, mastigada e depois cuspida. Já nem gosto tinha. É como estou agora, querido diário. Estou sem gosto. Sem gosto em seus muitos paladares: De viver, de rir, de gritar e correr, de encontrar potes novos e bons por aí. E depois de tanto sangue, lavagem de corpo e alma… Estou sem gosto até de morrer agora. Quero isso não, tá? Confia em mim de novo - porque ter esse sentimento-diário mútuo serve para isso: Confiar. Quero sofrer mais não, enjoei disso. Pode arrancar páginas e usar algo para manchas. Pode me rasgar inteira e virar do avesso. Porque eu penso que até mereço. Faz assim mesmo, a minha vida de número 18 tem de começar logo. Ela tem! Substitui urgente esse diário rasgado, manchado e com chave quebrada. Substitui, mas compra um com a capa igual, certo? (R, Liz)
Estou tão cansada de estar aqui;
Reprimida por todos os meus medos infantis.
E se você tiver que ir,
Eu desejo que vá logo.
Porque sua presença ainda permanece aqui,
E isso não vai me deixar em paz.
Essas feridas parecem não cicatrizar,
Essa dor é tão real.
Há tantas coisas que o tempo não pode apagar.
And I held your hand through all of these years, but you still have all of me.
(My Immortal - Evanescence) /R, Liz
Oi.
Como você está? Eu sei, você não vai me responder, mas vai pelo menos me ouvir.
Posso te contar algo?
Tudo bem, você está tão pálida que precisa ouvir algumas coisas minhas.
Eu tenho algo precioso, sabe? Na verdade, eu conheço uma pessoa. É, uma pessoa. É estranho, né? Não? Não é estranho? Tudo bem…Deixa eu continuar. Eu gosto muito dessa pessoa. Conto tantas coisas para ela, mas tantas coisas ela deixa passar por ela. Ela tem um problema, sabe? Ela chora demais. É, ela sofre. Sofre com dor, mas ela até gosta às vezes, é algo meio suportável para ela quando faz isso. Acho que dói no coração dela, mas ela deve gostar. Então. Essa pessoa gosta de magoar os outros, mas não! Não pense que ela faz isso com prazer (às vezes sim, mas não conta pra ninguém!). Eu vou te contar um pouco dela. Só um pouco. Ela é super engraçada, tem um humor terrível, adora tirar piadinhas com as pessoas e tem uma personalidade incomum. Ela é diferente, sempre foi. Ela me conhece demais, entende? Esse é o meu medo. Eu sou fiel à ela, totalmente. Eu sei que em você em posso confiar, mas confiei “tantas” vezes nela, que acho que está lá pelo número 200 ou 400. Mas acho que eu preciso comprar outro. Não está dando certo! Sempre falha. Tudo o que eu falo, falha. Acho que deve ser problema naquele maldito grafite. Pera, está falhando de novo. (…)Pronto. Deve ser mesmo problema no grafite. Mas será que é por isso que ela não entende algumas cosias? Acho que não. O fato é que o choro dela é vermelho. Ela chora sangue! Outro dia eu a abri e estava totalmente manchada. Não consegui entender, eu sempre tenho um cuidado imenso com ela. Enfim, isso me machuca e olha que eu não participo do que ela faz consigo mesma. Mas dói. Ela me pertence! Eu comprei! Meu dinheiro foi incluso e foi caro, tá bom? Custa caro, também. E agora ela apenas suja as suas páginas com sangue? Como é que ela pensa que ela pode fazer isso, sem nem ao menos pedir minha permissão? Eu acho que isso está errado. Na verdade, desde o inicio algo teve errado. Desde o inicio que ela começou com isso. Não sei nem porque eu estou conversando com você. Você é da mesma laia que ela, faz parte dela. Sorte a sua que te encontrei jogada lá na sala, se não eu teria jogado fora. Agora você entende o que eu passo? Eu sinto que não tenho mais poder sobre tudo o que eu realmente tenho! Não sei mais o que fazer. Será que eu devo jogá-la fora? Vender? Será que ela ainda quer que eu seja a dona dela? Ai….Meu-Deus. Eu esqueci! Ontem ela fez de novo aquilo. E sentiu orgulho. Como uma pessoa pode sentir o-r-g-u-l-h-o disso? Desculpa se pareci rude, é porque o assunto é crítico. Tudo bem, eu exagerei, ela não sente. Mas é como sentisse. E sabe do que mais? Os outros já estão comentando! Ela está se expondo para todos. E como eu fico nessa história? Minhas coisas estão nela! Eu acho que dá para fazer uma cópia daquela mini chave, antes que eu perca. Será que funciona mesmo? Ah, quer saber? É mais fácil eu comprar de novo lá na papelaria um novo bloco e um conjunto de grafite melhor do que me venderam. É mais fácil, né? Eu sou assim, sempre opto pelo mais fácil, acho que ela puxou isso de mim. Até que foi legal conversar com você, pedacinho de papel. Agora me desculpa, mas preciso te amassar. Ela não pode ver que sofro por ela estar tão machada daquele jeito. Talvez a água sanitária que minha mãe disse que me emprestaria possa dar um jeito nela. Talvez, né.
(Jéssica Pires L.)
A vida me foi pequena; A coisa suja do mundo resolveu estacionar no vazio bom que eu tinha. Eu não posso começar do começo agora, não interessaria muito todo o percurso, pois o fim já me é certo. Eu que de tudo fui incerto, não fugirei de me render a uma solução única. Olha, eu quis provar de coisas ditas boas porque a humanidade gritou ao meu ouvido que ser como eu era fugia dos padrões de ser humano. Era desumano ser tranquilo. E nunca me gritaram, por compaixão, que coisas boas também iludem e ferem e tornam a existência fraca. A felicidade é tão breve quanto uma nuvem rala de chuva. Acontece que eu queria dizer o mesmo da dor que abate os que aprendem a ser sensíveis. Dezenas de pessoas me rasgaram por desejo de ver o que tem dentro. Como dissecar um animalzinho em laboratórios de pesquisa. Que abuso exposto, Deus! Por isso me rasgo junto, cada centímetro. Mas faço melhor, limpo digitais sujas e rastros malditos. Tiro-me todo o couro, a casca. Como faz uma cobra que precisa mudar de pele vez ou outra. Esse vento, que agora passa e toca-me o corpo assim profundamente nu, faz doer menos do que começar a viver – como foi ruim sair da linha do existir e só. Desculpa! Comecei a sujar o papel com gotas de sangue espesso e sujo. É que eu deixei de ser meio cobra quando vocês chegaram. Não consigo ser natural ao mudar de pele, comecei a fazer cortes de lâmina que nem parecem doer mais. Eu seguro uma ponta solta de couro e puxo com vontade, e aí… Minha essência em sangue e líquido branco. Não se preocupem, a dor me entorpeceu nesse momento. É meio difícil entender a letra porque a caneta treme em consequência da perda de forças, mas vai ficar tudo bem. Quando sentirem o ponto final, acabar-se-á o esforço para ler e entender o que se passa. No ponto final, vai ficar tudo bem. Vocês têm que fazer isso por mim, têm de me compreender, pois nunca assim o fizeram. Então, façam pela primeira vez. E eu prometo, eu prometo que será a última. Eu descobri um jeito de ser leve e não me sujar com as coisas do caminho. O jeito é ser e não saber que foi. Eu tentei, nessa vida, mas a consciência é tão ingrata. Ela me fez rir por várias vezes e dizer: Estou leve, estou leve! E aí, uma bola de canhão e seu atrito. Porém, agora não. Agora serei leve, deslocarei a alma com esse golpe prestes de bisturi no pescoço. Sintam-se felizes. Por mim! O sangue me escorre de linhas fundas em pulsos. Estou esvaziando, secando e sentindo a insuficiência dos órgãos como senti as insuficiências de viver em intensidade. Eu preciso parar agora, meus olhos querem fechar e o sangue que escorre do coração acaba me levando tudo e vocês também já foram. Falta palavra e ar; Falta lágrima, falta felicidade até o último suspiro… Desfibrilador: Eu estou leve, ponto final.
(R, Liz - Nothing)
Se você acha que existe uma segunda parte porque eu fumei, dormi, acordei e agora estou aqui vivinha da Silva… Isso é um mero engano, sinto lhe informar. Olha, eu não quis ser ridícula por um segunda vez. Ou terceira? Ou quarta? Sabe-se lá! Eu me recuso a pensar nas vezes em que você me fez de boba. Como no começo da semana, que você mudou o nome, o endereço e a idade. E eu quase acreditei. Ficou no quase, que pena. Foi aí que lembrei da sua frase tão clichê que vinha quando eu dizia “você me manipulou, olha só”. Aquela sua frase não funciona agora, aquele seu pretencioso “sim, aprendi com a melhor” não faz sentido algum. Aliás, creio que nada incluindo você e eu num mesmo espaço sem uma vírgula que seja faça qualquer sentido hoje. O seu jogo excedeu tanto o nível de bom senso, que eu não faço ideia de como te olhar na rua e disfarçar uma expressão intensa de nojo. E eu fico aqui me perguntando por que. Por que você decidiu estragar o que já não precisava mais disso? Se quer saber, estava tudo tão fodido que se você queria a minha total falta de apego a você… Certo, você conseguiu! Hoje, eu não viveria um segundo sequer por você. Hoje, eu não morreria uma noite sequer por você. Hoje, eu não fumaria o meu cigarro e o seu desejo. Amanhã, provavelmente, também não. Eu não preciso dos seus rastros e vestígios, não preciso dos sorrisos que você me fazia mostrar ao mundo – até por que, esses também passam – e, principalmente, eu não preciso de você. Eu não preciso de você nem pra eu me enganar mais uma vez. Porque eu, que dizia “ainda é cedo”, tenho o prazer de dizer que agora já é tarde. Pra suas mentiras, jogos, erros. Pros seus acertos, desejos tortos e amor duvidoso. Agora já é tarde até pro meu perdão, que cansou de ser bondoso demais por aí. (R, Liz)

Sabe aquele Marlboro que você pegou de mim naquela manhã do seu aniversário e escreveu “eu quero muito você”? Eu nunca o fumei. Talvez, por não querer destruir a filosofia de um cigarro com suas letras e também o seu desejo por mim. E eu não sentia o mínimo de amor por você, eu sequer achava que te namoraria ou te respiraria incondicionalmente. Mas sei lá por que caralhos guardei aquele cigarro. Quer dizer, acho que sei… Sou muito egocêntrica e você me queria muito, combinação perfeita. E eu só não te queria muito, como passei depois a querer. Só não te queria muito, como não quero agora. Por isso, fui hoje lá no meu guarda-roupas, no canto escondido do lado esquerdo onde ninguém pode mexer e tirei dali o seu desejo guardado por mim. Estava lá ele, dentro de um antigo frasco pequeno de Mentos furtado do supermercado em que passávamos antes de começar as nossas tardes de Sábado. Faz tanto tempo dentro da minha conta, que já nem lembro mais onde foi que parei de fazer conta. Só sei que esse “tanto tempo” envenenou o cigarro e o seu desejo de um jeito que se tornou terrível abrir o frasco com o nariz desprotegido. É ridículo! É ridículo ter que lembrar das vezes em que você me olhou nos olhos e repetiu com toda a verdade do mundo “é você quem eu quero, é você”. É ridículo porque isso fede, isso traz problemas de saúde e depois… Mata. Mas eu preferi não ouvir os avisos, foi isso. Eu precisei quebrar a cara, os ossos e até a alma pra sacar que você nunca me quis como alguém que ama quer o outro. Engraçado… Ainda têm a coragem de dizer por aí que o mundo inteiro sabe que você me ama. Que você me quer ou que um dia foi assim. O que o mundo inteiro não sabe é que dentro de um frasco particular de mentos um cigarro apodreceu de tanta raiva de si mesmo. Porque o mundo inteiro não sabe, mas aquele seu desejo por mim foi tão doente e destrutivo que eu posso até fumar essa droga, o difícil é saber se acordarei amanhã. (R, Liz)

O telefone tocou. E sabe aquela sensação de estar caindo em um buraco escuro? Daqueles em que a queda parece durar uma vida inteira? Aí você não sabe se deseja encontrar de vez o chão ou morrer no ar. Aí eu não sabia escolher a emoção que sentir. Surreal, não? Assim como um desses buracos de Alice.
Ninguém saberia quem era. O número não se identificava. Ah que eu fosse ninguém! E que eu não tremesse. E que eu não tivesse um bolo na garganta. E que eu não sentisse meu rosto queimar e mãos gelar. Mas ele insistia em me tornar o seu alguém.
Silêncio. Um. Dois. Três segundos. Eu dizia rouca: Alô?
Silêncio. Uma. Duas. Três cenas nostálgicas. Senti a respiração do outro lado da linha, o meu coração perdeu-se no ritmo de batimentos. E quem é que não sabe a eterna verdade de que todo ser humano respira?
Mas não sabem, não sabem quem haveria de ser lá daquele lado.
Não sabem que aquela respiração possuía suspiros inconstantes. Com seus intervalos de dois segundos.
E era carregada de barulhos de pouca vida. E poder nenhum tinha de segurar um choro prestes.
Enfim, um minuto e seis segundos: Eu… Eu só queria te ouvir.
A ligação caiu. Percebi, então, meu coração se encontrar e voltar a pulsar.
Mas, que pena, havia um pouco menos de batidas. (R, Liz)
Deve ser a TPM, esse lance aí complicado de hormônios isso e aquilo. E nada me tira da cabeça que também pode ser aquele barulho irritante de música ruim na rua, ou a lentidão da minha internet e da merda do meu computador que fica travando minhas canções anti-stress. E nada me tira da cabeça que é o fato de não ter para quem ligar por simplesmente não me importar mais em ligar para alguém. Você poderia ser eu mesma por aí, só para eu sentir o prazer de telefonar e ouvir a minha voz do outro lado da linha? Porque isso sim, eu chamo de prazer. Ligar para si mesma?! Ah, prazer imenso. Qual é! TPM… Que coisa mais chata e conveniente, cara. Aí você fica aí, toda resolvida achando que sua impaciência e vontade de matar um com faca de serra cega é coisa de hormônio. Hormônio… Claro, claro. Até por que você também termina o sexo com vontade de esquartejar o seu homem. Termina? Sabe-se lá, não entendo muito de hormônio mesmo. E enfim, passa esse tal ciclo e você ainda tá impaciente e homicida? Que frustrante, não era a TPM. É por isso! É por isso que nada me tira da cabeça que deve ser falta. De não sei o quê. Mas deve ser.
Ê falta miserável! (R, Liz)