Saudade Anônima
Às vezes, eu sinto falta de corpos que ainda não encontrei.
Eu também penso que nunca os vi passar, não sei quais trejeitos possuem.
Se os passos são leves e soltos ou se desistem de ser passos e estacionam.
Eu não sei se já estacionaram no meu canto e despercebi.
Porque, de vez em outra, na janela, eu sinto uma saudade de rostos que não sei quais.
Não é algo parecido com o que encontro na fila do cinema, na frente de uma livraria ou num ponto de táxi.
Eu sinto saudade de alma que eu nunca conheci, que, talvez, nome não tenha.
E eu não vou entender por que isso agora.
Por que a minha saudade não pode ter nome de parente, antigo relacionamento ou amigo distante?
Por que, então, toda a falta que senti renasce desconhecida, sem gosto e cor que eu já tenha visto?
Eu não sei se você existe, se vive nesse ou n’outro tempo.
Mas, anônimo, eu vou te reconhecer quando, sem explicação alguma, seu sorriso me entender sussurrar
“Que imensa saudade eu tive de te achar por aí.”
(R, Liz)
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